Mercado foi "excessivamente otimista" com capacidade de entrega do governo, diz economista

Fonte: BBC News Brasil, publicado em 02 de Maço de 2020


 

(REUTERS/ADRIANO MACHADO) Economista critica cobrança de resultados exclusivamente de Paulo Guedes e sua equipe: "Planalto muitas vezes atrapalha"

 

No início de 2019, Zeina Latif, então à frente do departamento de economia da XP Investimentos, não achava que as projeções do mercado para aquele que seria o primeiro ano de governo Bolsonaro iriam se materializar.

 

A mediana das expectativas de bancos e consultorias reunidas pelo Banco Central no Boletim Focus sinalizava uma alta de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Passado um ano, as estimativas para o indicador, que o IBGE divulga nesta quarta-feira (4), não passam de 1,2%.

 

"Uma análise que eu fazia era de que teria reforma da Previdência. A gente não sabia quão ambiciosa, mas era óbvio que teria."

 

"A provocação que eu fazia era a seguinte: tá bom, passada a reforma da Previdência, a gente não vai ter um grande ímpeto reformista — e lamentavelmente isso aconteceu."

 

Para ela, a frustração das expectativas sobre 2019 se deve, em parte, a uma "leitura excessivamente otimista em relação à capacidade de entrega do governo, de reformas".

 

E ainda, avalia, a uma "superestimação do poder da política monetária". O ciclo de corte da taxa básica de juros não teve o efeito positivo esperado no ano passado, e que estava embutido nas expectativas.

 

A boa notícia é que isso começa a acontecer de forma mais clara em 2020 — o ponto de preocupação agora é o coronavírus.

 

Com mestrado e doutorado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Zeina deixou a XP Investimentos, onde estava desde 2014, neste mês de janeiro para atuar como consultora econômica. Ela quer ir além das análises de mais curto prazo que o trabalho no mercado financeiro demanda.

 

Antes de ir para a corretora, foi economista sênior para América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), economista-chefe do ING no Brasil, economista sênior da consultoria Tendências e professora do Ibmec.

 

Em entrevista à BBC News Brasil, ela critica o fato de o atual governo cobrar resultados na área econômica exclusivamente do ministro Paulo Guedes e sua equipe.

 

Em sua avaliação, a meta de crescimento deveria ser "do governo como um todo", e não apenas de uma pasta — já que o sucesso ou fracasso das medidas muitas vezes não dependem apenas de uma área.

 

"Sem contar que muitas vezes o próprio Planalto atrapalha, na hora em que cria ruídos, na hora em que desidrata propostas, que segura, na hora em que não se empenha pra ter uma boa relação com o Congresso."


BBC News Brasil - 2019 repetiu a trajetória dos dois anos anteriores: as expectativas dos primeiros meses apontavam para o crescimento superior a 2%, quando efetivamente o PIB deve crescer muito menos. O que aconteceu?


Zeina Latif - Eu não estava no grupo dos economistas otimistas no ano passado, já estava com uma visão de que a gente não ia ter crescimento nem de 2%.

 

A ideia é que, estruturalmente, o país está muito fragilizado. A gente está falando de muitos equívocos durante muito tempo na política econômica que fizeram nossa produtividade cair.

 

A crise fiscal gerou uma crise prolongada que reduziu nosso potencial de crescimento, porque são muitos anos com baixa taxa de investimento. Uma deterioração não só no nosso parque produtivo, mas também na nossa mão de obra.

 

Isso fez encolher nosso potencial de crescimento.

 

Houve investimentos no governo Dilma? Sim, mas equivocados. Então, o Brasil tinha potencial de crescimento menor, o que continua valendo para este ano.

 

Mesmo quem é otimista não está falando de uma taxa de 3,5%. Por quê? Porque tem uma questão estrutural.


BBC News Brasil - Parte do otimismo para 2019 também não se devia a um início de governo Bolsonaro?


Latif - Sim, mas, só para completar o raciocínio: em 2018 eu estava otimista, porque eu colocava (os números) lá nos meus modelos e tinha o impacto dos juros para se materializar…

 

Daí não se materializou e eu falei: "Poxa, tem alguma coisa acontecendo".

 

E o que estava acontecendo é justamente, na minha visão, as consequências de uma crise prolongada que machucou muito a economia. As empresas com dificuldade financeira, os consumidores com medo do desemprego...

 

O Banco Central cortou juros, mas o mercado de crédito não teve a reação esperada, não estava fluindo como deveria.

 

Só que começou a melhorar. Isso abriu a possibilidade de a gente colher mais frutos em 2020.

 

Quando o BC fala: "Olha, está aumentando a potência da política monetária" é isso, é um mercado de capitais funcionando melhor, é um mercado de crédito funcionando melhor, sendo que o mercado de crédito é o principal canal da política monetária.


BBC News Brasil - A incerteza não atrapalha nesse sentido, na questão do crédito?


Latif - Os índices de incerteza pioraram, se bem que eu acho que isso é mais conjuntural.


BBC News Brasil - Mas não acaba atrapalhando investimento (com uma consequente demanda menor por crédito)?


Latif - Atrapalha. Só acho que o problema do investimento no Brasil não é só incerteza.

 

A gente não consegue atrair muito investimento mesmo. Um país torto. Incerteza é um ingrediente que se soma. A grande questão é que a gente tem um marco regulatório ruim, sistema tributário ruim, insegurança jurídica...

 

Nesse contexto de um mundo cheio de incertezas, a gente tem visto o investidor global muito mais seletivo. O ambiente não está favorável para investimento em emergentes.

 

Isso que aconteceu no leilão da cessão onerosa é, para mim, muito emblemático. Eu lembro que, no início do ano, havia muito interesse do estrangeiro por esse leilão. No final, quando perceberam que estava mal desenhado, não teve nenhum.

 

Teve chinês, e ainda à base de acordo. No final foi a Petrobras (que arrematou dois dos quatro campos em oferta em novembro, um deles em um consórcio com a estatal chinesa).

 

Isso mostra o quão seletivo está o investidor.


BBC News Brasil - Um indício disso talvez tenha sido o descasamento entre as expectativas dentro e fora do Brasil em relação ao crescimento em 2019 (as estimativas das consultorias econômicas estrangeiras eram, de forma geral, menos otimistas já no início do ano). Por isso a pergunta sobre o excesso de otimismo, internamente, com o governo Bolsonaro.


Latif - Acho que teve uma superestimação do poder da política monetária e acho que houve uma leitura, talvez... não sei se a palavra é ingênua, mas, ao meu ver, excessivamente otimista em relação à capacidade de entrega do governo, de reformas.

 

Uma análise que eu fazia (no início do governo) era de que teria reforma da Previdência. A gente não sabia quão ambiciosa, mas era óbvio que teria. No final, foi uma reforma até melhor do que eu esperava — eu tinha medo de ser até mais tímida que a do Temer.

 

A provocação que eu fazia era a seguinte: tá bom, passada a reforma da Previdência, a gente não vai ter um grande ímpeto reformista — e lamentavelmente isso aconteceu.

 

O segundo semestre do ano passado foi praticamente perdido em termos de agenda do Legislativo. E não é culpa do Congresso. As pessoas tendem a culpar o Congresso, mas têm que entender que quem pauta o Congresso é o Executivo. Nós estamos em um regime presidencialista. Quem tem que pautar, quem tem que convencer, é o Executivo e seus articuladores.

 

O que a gente viu foram 9 meses para discutir CPMF.

 

Não por falta de alerta, inclusive do próprio secretário do Tesouro (Mansueto Almeida). Já era sabido que outras medidas de ajuste fiscal teriam de ser enviadas para garantir o cumprimento da regra do teto. Não foi por falta de alerta.

 

Só que aí tem o envio de três PECs (que tratavam do assunto), tudo de uma vez, sendo que tem coisa lá que podia esperar. Já tinha o Plano Mansueto (que trata do socorro a Estados e municípios com a situação fiscal comprometida), a carteira verde-amarela.

 

E tem ainda Eletrobras, tem o PL das concessões e das PPPs.

 

Abarrotou o Congresso de medidas — e a gente não consegue identificar o que é prioridade.


BBC News Brasil - O que deveria ser a prioridade?


Latif - Penso que a (PEC) Emergencial (enviada ao Senado em novembro, a PEC 186 lista uma série de medidas para reduzir o gasto público, inclusive congelamento de salários de servidores e suspensão de concursos para aqueles entes que já tiverem extrapolado o limite de gastos como proporção da receita).

 

Em alguns momentos o Paulo Guedes falou nessa direção, o próprio Rodrigo Maia. Mas daí passam duas semanas e você vê o próprio ministro falado que a prioridade é a administrativa, não, é a tributária...

 

Não tem definição de agenda, qual a ordem de prioridades. E, o que eu acho mais complicado: ainda que haja esforços isolados, eu não vejo um esforço conjunto, de fato, do governo, que tem que estabelecer prioridade e tem que focar essa prioridade.


Presidente Bolsonaro e Paulo Guedes levam "Plano Mais Brasil" ao Congresso(MARCELO CAMARGO/AG. BRASIL) Para economista, PEC Emergencial deveria ser prioridade do governo


BBC News Brasil - O governo (o Executivo) ou a equipe econômica também estão deixando a desejar nesse sentido?


Latif - Na verdade é tudo. O ministro da Economia não é um estrategista político, não é função dele. Ele pode falar do que faz sentido do ponto de vista técnico, estabelecer as prioridades do ponto de vista técnico. Mas essa construção é, na verdade, a várias mãos.

 

Então não é falha de uma ou outra pessoa, é do governo.

 

Ainda que eu ache que o Ministério da Economia poderia ter tido uma atitude mais efetiva em relação a essas agendas, o fato é que essas responsabilidades precisam ser compartilhadas.

 

Saiu uma matéria dizendo que o presidente falou para o Paulo Guedes que (a economia) tem que crescer 2%. Não é do Paulo Guedes (a obrigação), é do governo como um todo!

 

Sem contar que muitas vezes o próprio Planalto atrapalha, na hora em que cria ruídos, na hora em que desidrata propostas, que segura, na hora em que não se empenha pra ter uma boa relação com o Congresso...

 

O Paulo Guedes não é o presidente da República, é o ministro da Economia. Isso é uma coisa conjunta.

 

Vamos pegar a questão ambiental, que se tornou um tema do mundo. O próprio presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto) falou: "Olha, o fluxo de investimentos no Brasil depende da imagem do país nessa questão".

 

Isso pode atrapalhar crescimento, certo? Como é que o Paulo Guedes vai resolver isso? Então é injusta a cobrança. E pior, é equivocada. Essa meta é do governo.


BBC News Brasil - Nesse sentido, queria fazer uma provocação, já que a senhora tocou no tema ambiental. Existe uma crítica ao mercado financeiro de que "aceita-se tudo", se a agenda liberal for implementada, se as reformas forem feitas. A senhora concorda?


Latif - Olha, o mercado financeiro está lá cumprindo um papel, que é o de garantir rentabilidade para o investimento das pessoas. Todo mundo quer chegar no final do mês e ver que sua carteira está bem investida. Ninguém vai lá no seu gestor ou no seu gerente perguntar se ele está preocupado com a questão ambiental ou com a questão de gênero, ninguém.

 

Então, o mercado financeiro está refletindo uma cobrança de cada um, investidor, que quer rentabilidade na carteira e que, se não tem, muda de instituição. Ele está cumprindo o seu papel, que é o de procurar oportunidades de investimentos para as pessoas. Ponto final.

 

Dito isso, o horizonte de análise dos analistas que estão ali — e por isso que eu quis buscar outros caminhos (fora da XP) — é o curto prazo. Eles olham alguns meses pela frente.

 

Exemplo meu: "Zeina, a reforma da Previdência vai sair?" Eu falo: "Ela vai sair. Mas cuidado, pós-Previdência vai ser uma agenda fraca". Qual que é a resposta do gestor ou da pessoa que está na linha de frente do mercado?

 

"Zeina, um passo de cada vez. Agora eu quero saber se vai ter a Previdência ou não, porque o mercado vai se posicionar pra isso e eu não posso perder dinheiro, ou meu cliente vai embora. Agora não quero saber disso."

 

A questão ambiental bate nos preços de mercado? Não bate. Daí a gente pode perguntar porque não bate, tudo bem. Se não é um tema que vai mexer em preço de ativo, o analista não vai olhar.

 

O mercado reage ao curto prazo. Se esses temas se tornarem relevantes no curto prazo, eles vão olhar. Claro que, se você tem pessoas associadas a investimentos de longo prazo, como no mercado de capitais, aí é outra história.

 

Onde eu acho que às vezes tem as consequências disso é que há políticos que reagem muito a preços de ativos. Falam: "Olha a bolsa!".

 

E não é para celebrar a bolsa, porque a bolsa é um movimento de curto prazo. Você vai guiar sua política econômica, o seu governo em função da bolsa? Aí sim temos problema.

 

Porque a bolsa é curto prazo, ela não diz nada do Brasil daqui um ano. Absolutamente nada.


BBC News Brasil - Tem gente que gosta de usar como termômetro do governo.


Latif - Não é. Ai, porque o CDS (medida de risco-país) está baixo, então quer dizer que o governo está bem. Não, equivocado. Essa não é a análise.


BBC News Brasil - A senhora falando, me vieram à cabeça vários tuítes do próprio presidente comemorando resultado da bolsa, CDS baixo...


Latif - Não é adequado. Assim como, no dia que a bolsa cair (a entrevista foi concedida antes da forte queda da bolsa por conta do coronavírus), por alguma razão, não é para o governo sentar na sarjeta e chorar. O mercado exerce disciplina? Exerce. Mas tem que tomar cuidado de não tomar isso exageradamente.

 

Nem é selo de qualidade, nem selo de condenação.

 

A gente viu vários momentos em que os economistas, eu inclusive, alertávamos para o risco do governo Dilma, e as agências de rating estavam dando upgrade pro Brasil.

 

Eu falava: "Meu deus, como que está dando upgrade? Ela está fazendo uma política totalmente equivocada…". E o mercado aplaudia. Muitas vezes o mercado aplaudiu, achava que estava tudo certo, que as medidas estavam corretas, que a Dilma estava fazendo política para estimular a oferta.


BBC News Brasil - E neste ano as previsões seguem excessivamente otimistas?


Latif - Hoje menos. Ano passado eu me preocupava mais.


BBC News Brasil - O último trimestre de 2019 trouxe sinalizações ruins, com dados negativos da indústria, frustração com desempenho do varejo. Dá para chegar nos 2% que o Bolsonaro teria pedido ao Paulo Guedes?


Latif - Olha, tem essa questão do coronavírus, que a gente não sabe. Aparentemente as coisas são mais sérias do que em outras epidemias.

 

Nitidamente a China perdeu uma primeira batalha de evitar a contaminação de pessoa para pessoa. Agora está agindo para conter, e aí gera esse impacto econômico não só na demanda, mas na oferta — porque as cadeias globais sofrem disrupções.

 

Não há ainda vacina, políticas de estímulo (ao crescimento econômico, que poderiam ser implementadas quando a situação estiver sob controle) têm suas limitações, mesmo na própria China.

 

Tudo isso em um contexto em que o mundo já vinha desacelerando. Porque uma coisa é você ter um surto como esse em um mundo que está com crescimento elevado, saudável, boom de commodities. O mundo em crescimento digere choques mais facilmente.

 

Com o comércio mundial já enfraquecido, guerra comercial, políticas protecionistas dos países, a China desacelerando... esse é o contexto do coronavírus.

 

Claro que isso vai impactar a gente aqui, não tem como. Via balança, via preços de commodities, via câmbio, via fluxos financeiros... Não tem jeito.

 

O câmbio, lembrando, quando tem pressão cambial, no curto prazo o efeito disso é negativo para atividade econômica, com pressão sobre os preços de insumos.


Mulher trabalhando em uma fábrica(GETTY IMAGES) Baixo potencial de crescimento da economia se deve em parte à fragilidade da indústria, diz Latif


BBC News Brasil - E a exportação demora mais a reagir ao câmbio...


Latif - A exportação é muito pouco sensível ao câmbio. É mais sensível ao comércio mundial, que está impactado. Nossa exportação vai cair, ponto final, mesmo com o câmbio pra cima, porque a demanda mundial está mais baixa.

 

O que eu queria dizer é: tem o coronavírus, a gente não sabe o tamanho disso, mas vai impactar.

 

De repente fica mais concentrado só no primeiro trimestre, depois a coisa avança.

 

Mas o ponto é o seguinte: uma economia, mesmo crescendo mais que o ano passado, alguma coisa em torno de 2%, não é grande coisa. É muito pouco.

 

Mostra ainda que esse paciente pode ter saído da UTI, mas ainda está bem fraco. Essas oscilações na economia, portanto, são naturais.

 

Não quer dizer que os 2% estão garantidos, mas é muito cedo pra gente já sair condenando o ano, porque tem essas oscilações mesmo.

 

Essa é uma consideração. A outra tem a ver com o baixo crescimento, porque é 2% e não 3%, 3,5%: a indústria não vai andar.

 

Há tanto tempo eu falo disso que até cansei já. É um problema de competitividade, não é a Selic que vai resolver, não é crédito. Não é crédito do BNDES que vai resolver. É um problema de competitividade.

 

E a indústria tem um efeito multiplicador importante.

 

A agropecuária gosta muito de dizer que eles seguram o Brasil. São muito importantes para as nossas exportações — se hoje a gente tem reservas nesse patamar, é porque teve muito ingresso de recursos vindos do setor de commodities.

 

É claro que é um setor importante, mas não é puxador de crescimento.

 

A indústria, do jeito que está, compromete a geração de emprego com carteira, tem implicações na massa salarial, tem implicação na cadeia produtiva. Tem segmentos do setor de serviços que dependem muito da indústria.

 

Por isso que é um crescimento modesto.

 

Em sendo modesto, a gente vai ter que aguentar, porque o ciclo econômico (as oscilações às quais o país está sujeito quando há choques internos e externos) não é brincadeira.


BBC News Brasil - Em que medida o episódio recente em que o governo manifestou apoio aos protestos convocados contra o Congresso para o próximo dia 15 de março se encaixa na avaliação que a senhora fez anteriormente, de que o Planalto muitas vezes atrapalha o andamento das reformas e cumprimento das metas econômicas?


Latif - Esse episódio agora do Planalto com o Congresso mostra, primeiro, uma pouca compreensão sobre a importância do funcionamento das instituições democráticas.

 

Focando na questão econômica, isso é mais uma manifestação de um governo que não tem clareza de agenda e muito menos um esforço político para avançar nesses temas.

 

Reforça o ponto de não ser um governo reformista.

 

Claro que isso também agrava o quadro, porque, daqui para frente, as reformas que o país vai enfrentar não têm o mesmo consenso, não são temas que são tão maduros como estava a reforma da Previdência.

 

São temas que exigem maior esforço de convencimento. Alguns têm grande interesse do setor privado, como marco regulatório do saneamento, mas, mesmo assim, sempre tem arestas que precisam ser aparadas.

 

Um tema como reforma tributária, esse certamente vai ter que ter muito esforço político para chegar nessa solução majoritária. O setor de serviços, por exemplo, é contra e por isso insiste na CPMF.

 

Como avançar nesse quadro se você tem esse desrespeito com o trabalho no Congresso? As lideranças, que têm ali um papel essencial para ajudar na construção de consenso, sendo atacadas?