FMI afirma que protecionismo dos EUA já afeta a economia global

Fonte: Agência Brasil, publicado em 01 de Outubro de 2018


Por Agência EFE | Washington

 

 

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o atual cenário de políticas protecionistas gerado pelos Estados Unidos começou a ter efeito na economia global, cujo crescimento passará por uma desaceleração, segundo as previsões do órgão.

 

"Uma questão importante é que a retórica está se transformando em uma nova realidade de barreiras comerciais. Isso prejudica não só o comércio em si, mas também os investimentos e a indústria manufatureira à medida que a incerteza segue crescendo", afirmou Lagarde em discurso na sede do FMI, em Washington.

 

De acordo com a dirigente, se as atuais guerras comerciais aumentarem "ainda mais" podem causar impacto em uma categoria de economias "mais amplas", incluindo economias emergentes e em desenvolvimento.

 

O FMI projetou em julho um crescimento global de 3,9% para 2018 e 2019, mas Lagarde adiantou que as próximas previsões serão "menos brilhantes". A divulgação desses dados ocorrerá durante a assembleia anual do órgão e do Banco Mundial (BM), entre 8 e 14 de outubro, na ilha de Bali, na Indonésia.

 

No entanto, a dirigente do FMI destacou que o crescimento econômico global "segue no nível mais alto desde 2011", quando os países se recuperavam depois da crise, e comemorou que os números de desemprego estejam caindo "na maioria" dos países.


Desaceleração

 

Apesar do cenário de crescimento, Lagarde avisou que os Estados Unidos podem sofrer futuramente efeitos adversos da reforma tributária aprovada em dezembro pelo presidente Donald Trump.

 

"Por enquanto, os EUA estão crescendo fortemente, apoiados por uma expansão tributária procíclica e por condições financeiras cômodas – o que pode se transformar em risco em um ciclo comercial em processo de amadurecimento", esclareceu.

 

A diretora do FMI explicou que em outras economias avançadas, como a zona do euro e, em menor medida, o Japão "já existem sinais de desaceleração".

 

Lagarde também mencionou os desafios enfrentados por mercados emergentes e países de baixa renda, incluindo América Latina, Oriente Médio e África subsaariana.

 

"Muitas dessas economias estão enfrentando pressões de um dólar mais forte e o endurecimento das condições do mercado financeiro", detalhou.

 

Para tentar solucionar esse contexto instável, Lagarde indicou que é necessário fortalecer as regras do sistema comercial global mediante a prevenção de abusos de países em posições dominantes e melhorando a aplicação dos direitos de propriedade intelectual.