Preços dos vícios e virtudes subiram mais que a inflação dos últimos três anos

publicado em 05 de Setembro de 2011


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Fonte: Agência Brasil


Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Produtos e serviços ligados aos vícios e às virtudes dos brasileiros ultrapassaram a inflação acumulada dos últimos três anos, com base no Índice de Preços ao Consumidor calculado com base nos preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência, chamado IPC-10.

De acordo com pesquisa divulgada hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), os produtos e serviços associados aos vícios ficaram 30,96% mais caros entre setembro de 2008 e agosto de 2011, superando em quase duas vezes a inflação acumulada no período, de 16,07%. Os preços vinculados às virtudes do consumidor também ficaram acima da inflação, com alta de 18,73%.

O economista André Braz, da FGV, disse à Agência Brasil que o ponto central da pesquisa foi mostrar que alguns tipos de investimento dão retorno ao cidadão, enquanto outros ampliam as despesas. “Quando você investe, por exemplo, em uma atividade que aumenta as suas chances de conseguir um bom emprego ou que melhora a sua cultura, uma parte desse gasto, embora acima da inflação, volta para você como um benefício”

Braz acrescentou que, quando o consumidor investe em coisas que não dão benefício e, ao contrário, implicam, eventualmente, em gastos futuros maiores com saúde, por exemplo, o investimento se transforma em um mau negócio. “Porque quem gasta com vícios, eventualmente vai gastar mais com saúde também, no médio prazo, para tratar problemas provocados pelo uso de substâncias que não fazem bem ao corpo”.

Exemplificou que quem compra um livro ou entra em um curso está pagando mais caro em termos reais por esse tipo de investimento, mas terá retorno mais à frente. “Quanto mais cultura se tem, maior a possibilidade de arrumar um emprego que compense o investimento”.

Já quem gasta com coisas que não fazem bem à saúde, como bebidas alcoólicas, por exemplo, não terá retorno desse gasto. “A pesquisa visa a chamar a atenção e reforçar a questão das escolhas. Todo mundo é livre para empregar o dinheiro onde quiser mas, é claro, tem como investir e gastar esse dinheiro a ponto de ele trazer algum retorno positivo para a vida”, disse André Braz.

A pesquisa mostra que fumo, bebidas alcoólicas e loterias, incluídos entre os vícios habituais dos brasileiros, subiram nos últimos três anos 40,19%; 19,53% e 15,49%, respectivamente.

Entre os produtos e serviços ligados às virtudes, os vilões foram as academias de ginástica, com aumento de 24,75%. As escolas e cursos complementares mostraram reajuste de 20,84%, enquanto cinema, teatro e shows subiram 17,75%. Livros, jornais e revistas tiveram variação de 10,77%.

Edição: Vinicius Doria


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