Número de consumidores com dívidas em atraso é o menor em 12 meses

Fonte: InvestNE, publicado em 17 de Outubro de 2012


Em Fortaleza, 61,7 % dos consumidores apresentam algum tipo de dívida nesse mês de outubro

 

Segundo a Pesquisa do Perfil de Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), 61,7% dos consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida neste mês de outubro. O resultado está 1,8 pontos percentuais acima do verificado em setembro (59,9%), mas foi qualitativamente compensado com a redução no percentual dos consumidores com dívidas em atraso, atingindo o menor nível nos últimos doze meses.

 

Os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores são: (a) cartões de crédito, citado por 78,0% dos entrevistados; (b) os carnês e crediários, com 13,1%; (c) o financiamento bancário (veículos, imóveis etc.), com 12,6%; e (d) os empréstimos pessoais, com 7,2% das respostas.

 

O consumidor utilizou o crédito para a compra de itens de alimentação (39,5% das respostas), artigos de vestuário (37,9%), eletroeletrônicos (35,4%), e a realização de despesas de educação e saúde (20,4%). O valor médio das dívidas atingiu o patamar de R$ 1.040 e prazo médio de sete meses, comprometendo 27,7% da renda familiar dos consumidores com o seu pagamento.

 

A ampla oferta de financiamento tem modificado o perfil do endividamento do consumidor de Fortaleza, ainda que se concentre no curto prazo, com 73,1% das dividas em prazos inferiores há um ano.

 

Uma das explicações para esse resultado é o padrão de consumo, muito limitado pela baixa renda do consumidor local: a compra de alimentos, itens de higiene pessoal e limpeza comprometeu 33,7% do orçamento familiar; a aquisição de artigos de vestuário, 19,2%; eletroeletrônicos, 16,0%; e os gastos com educação e saúde, 13,8%.


Contas e Dívidas em Atraso

A proporção dos consumidores com contas ou dívidas em atraso teve redução de 0,8 pontos percentuais, passando de 17,1%, em setembro, para 16,3%, em outubro. Destaca-se a redução verificada nos estratos de consumidores do sexo feminino (menos 2,7 pontos percentuais), com idade entre 25 e 34 anos (-6,9%) e com renda familiar inferior a cinco salários mínimos (-1,6%).

 

O tempo médio de atraso é de 65 dias, sendo que, em outubro, 25% dos entrevistados relataram estar nessa condição por até trinta dias. O aumento do tempo de atraso verificado nos últimos meses pode indicar problemas mais sérios nos orçamentos dos consumidores e exige um maior esforço de devedores e credores para a solução dos débitos.

 

O desequilíbrio financeiro – a diferença entre a renda e os compromissos – foi o principal motivo citado como explicação para que os consumidores atrasem suas contas, tendo sido citado por 69,6% dos entrevistados com dívidas em atraso.


Inadimplência 

A taxa de inadimplência, ou seja, a proporção de consumidores que não terão condições financeiras para honrarem seus compromissos, teve aumento de 1,3 pontos percentuais, ficando em 5,7% em outubro.

 

O perfil do consumidor inadimplente não mostra discriminação por gênero, mas afeta mais os consumidores com idade acima dos 35 anos (6,4% de inadimplência potencial) e com renda familiar inferior a cinco salários mínimos (6,3%).


Orçamento familiar

A Pesquisa de Endividamento também revela que 79,2% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e acompanhamento eficaz dos seus gastos e rendimentos, o que contribui para um melhor controle dos níveis de endividamento.

 

11,7% dos entrevistados informaram realizar orçamento dos rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos e 9,2% relataram não possuir orçamento e tampouco controle dos gastos.

 

A falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou inadimplência.

 

Dos fatores que os consumidores consideram que mais contribuem para esse problema, listam-se: (1) as compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 25,5%; (2) a falta de orçamento e controle dos gastos, com 15,1%; (3) o aumento dos gastos considerados essenciais, com 13,3% e (4) o desemprego, com 12,7% das respostas.