Valorização do Real: BOM ou RUIM?



Pedro Jorge Ramos Vianna

Muito se tem discutido sobre os efeitos da valorização do Real no sistema econômico brasileiro sobre os efeitos em determinados setores etc. O primeiro problema que envolve tal discussão é saber se o Real está, realmente, sobrevalorizado ou subvalorizado. O segundo é, de quanto. O fato de o dolar estar custando, por exemplo, R$1,783 não quer dizer que ele está sobre ou subvalorizado. Veja que qualquer moeda nunca está “valorizada” em relação a outra moeda. Ela só tem três possibilidades: estar ao par; estar sobrevalorizada; ou estar subvalorizada.

Desta forma, para dizermos que o dólar está “desvalorizado” ou “valorizado” temos que saber, qual era seu valor, ao par, em termos de nossa moeda. E quando isto ocorreu. Porque somente assim, poderemos calcular a defasagem atual. Mas um outro problema pode surgir, principalmente se estamos interessados em saber o efeito dessa “valorização” ou “desvalorização” em termos setoriais. É importante notar que se o dólar estiver valorizado em relação ao Real, este fenômeno pode inibir as exportações, mas em contra partida pode beneficiar as importações.

Assim, os efeitos líquidos podem ser completamente diversos ao que imaginamos estar ocorrendo. Tomemos um exemplo bem simples. Imaginemos duas empresas do setor têxtil, a Empresa A e a Empresa B. Imaginemos que a Empresa A não usa como seus insumos mercadorias importadas e seu mercado é principalmente o mercado internacional. É claro que a “desvalorização” do dólar vai prejudicar tal Empresa. Agora, imaginemos que a empresa B utiliza de forma bastante intensiva insumos importados e seu mercado é, basicamente, o mercado interno. Neste Caso, ela é uma empresa beneficiada. E se a Empresa exportar e importar, qual será o resultado final? Assim, não se deve dizer, antes de se analisar o caso em que estamos interessados, se o valor da moeda nacional em termos de uma outra moeda terá efeitos positivos ou negativos sobre determinado setor ou um sistema econômico qualquer.

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.