A dívida pública brasileira



A DÍVIDA PÚBLICA BRASILERA

PEDRO JORGE RAMOS VIANNA

Em março do corrente ano a DÍVIDA DO GOVERNO FEDERAL atingiu a cifra de R$1,507 trilhões. O aumento no mês de março foi de R$15,905 bilhões. Ou seja, somente naquele mês o Governo Federal foi ao mercado e pediu emprestado (ou vendeu títulos,o que é a mesma coisa) ao mercado, a “bagatela” de quase 16 bilhões de Reais.

A pergunta que não quer calar é: quanto de juros adicionais o governo vai pagar? Se tomarmos a taxa básica de juros (agora de 12% a.a.) isto significa que somente este “pequeno acréscimo” vai exigir o pagamento adicional de juros, ao ano, de R$1,9 bilhão.

E quanto o Governo paga de juros sobre a dívida total? A “bagatela de R$180,8 bilhões por ano. Isto é igual a quase 2,5 vezes o PIB do Estado do Ceará. Não há nada melhor para a ciranda financeira nacional (e, de quebra, da internacional, embora este volume seja ínfimo para o mercado financeiro internacional).

Mas o problema é que a dívida pública total no Brasil (a soma do governo federal mais os governos estaduais e municipais) é de .R$2,112 trilhões. E aí os juros anuais vão para a casa dos R$253,4 bilhões. Isto representa quase 4 vezes do PIB do Ceará.

Mas o mais importante é que a política cambial de manter o Real sobrevalorizado,o que afeta “o cupom cambial”, muito contribui para o aumento da dívida pública. Embora em Real, boa parte dessa dívida está nas mãos de credores internacionais. Desta forma,embora o governo alardeie que “zerou” a dívida externa,o expectro da variação cambial é ainda o principal fator de “rentabilidade” para os investidores.

Assim,afetando a dívida pública brasileira (com viés positivo) temos a elevada taxa dejuros e a sobrevalorização do Real. Aonde isto nos levará?

{jcomments on}

 



    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.