Israel: Nação Empreendedora ( Start-up)



ISRAEL: NAÇÃO EMPRENDEDORA ( START-UP) 

Pedro Sisnando Leite

Como convidado da “Ben-Gurion University of Negev (Israel)” e da Federação das Indústrias do Ceará (FIEC) participei de uma missão de estudos e observação ao Estado de Israel, na 2ª quinzena de novembro de 2011.

O grupo cearense que visitou esse país era constituído de 15 pessoas, dentre os quase estavam empresários, representantes da Universidade Federal do Ceará, Universidade de Fortaleza, Faculdade 7 de Setembro, representantes da Confederação Nacional da Indústria, da FIEC e convidados especiais. A coordenação dessa missão da parte brasileira foi realizada pelo Presidente da FIEC, Dr. Roberto Proença Macedo; da parte de Israel, os anfitriões e organizadores de todos os eventos foram assumidos pelos eminentes professores da Universidade de Ben-Gurion e da Ruppin Acadêmico Center, Dr. Raphael Bar-El e Dra. Dafna Schwartz, grandes amigos nossos e do Ceará. 

O objetivo principal dessa missão era conhecer melhor as políticas e experiências desse país asiático no campo da pesquisa, tecnologia e inovação industrial a partir da colaboração entre Universidade-Indústria, segundo um modelo israelense reconhecido mundialmente como de muito sucesso. Trata-se, na verdade, de assunto constante das novas diretrizes lançadas pela Federação das Indústrias do Ceará e corroborado pelo movimento “Modernização Empresarial pela Inovação”, da Confederação Nacional das indústrias.

No Ceará, a preocupação é com a modernização do parque industrial e para a implementação de novos ramos  manufatureiros competitivos na economia global, que está chegando visivelmente no mercado de manufaturados local.  Esse novo fenômeno está levando o setor secundário  a uma tendência de desindustrialização no Brasil e, mais particularmente, no Ceará cujo setor vem perdendo posição relativa na estrutura econômica estadual e na participação da pauta de exportação para o exterior.

Com a revolução industrial da China e outros países asiáticos, parece ser um processo inexoravelmente ameaçador para a economia cearense,  caso não sejam  tomadas iniciativas inovadoras o mais urgentemente possível. A solução para esses óbices é, naturalmente, uma corajosa mudança de políticas que precisa ser baseada em experiências e conhecimentos acumulados por outros estados e  países.

Os diversos governos brasileiros já propuseram várias políticas  voltadas para aumentar a competividade e lucratividade das nossas indústrias, inclusive com subsídios e isenções fiscais relevantes. Muitos avanços foram alcançados, mas estamos vivendo uma nova realidade que requer novas soluções.

O setor de modernização tecnológica de Israel tem progredido rapidamente nas ultimas décadas, tornando-se uma história admirada em todo o mundo.  O modelo de inovação israelense não tem paralelo internacional, conforme  muitas publicações do ramo, especialmente os chamados “start-up “. Neste particular, os autores do livro “ The Story of Israel's Economic Miracle” Don Senor e Saul Singer, questionam:

Como é que Israel –um País de 7 milhões de habitantes, com sessenta anos de existência, cercado de inimigos, em constante estado de guerra desde a sua fundação, sem recursos naturais- produz  mais companhias  stard-up (inovadoras) do que grandes pacíficas e estáveis nações, tais como Japão, China, Índia, Coréia, Canadá e Reino Unido? Esse livro de Senor dedica-se a demonstrar como funciona o processo do sucesso de Israel com uma combinação de inovação e intenso empreendedorismo.

Na zona industrial de Tel Aviv existe um desses pólos de hi-tech que congregam grandes multinacionais, como  a Digital, Motoro etc. e  uma infinidade  de companhias de pequeno e médio porte, especializadas  em diversos segmentos de mercado. Do mesmo modo, observa-se nas proximidades de Haifa, onde está localizado o Instituto Tecnológico Tchnion, que juntamente  com o Instituto Weizman de Ciência apoiam o que chamam de o segundo “ Silicon Valley” do mundo.

Os cientistas israelenses afirmam  que a interação entre a academia, a indústria e o governo  muito contribuem para esses  resultados. Ao longo de sua história, de fato, Israel contou na promoção do seu desenvolvimento econômico  importantes instituições e projetos bem focados. Em outras palavras, Israel nasceu e evoluiu com ênfase na educação, na ciência, na tecnologia e no planejamento.

São esses instrumentos que o Ceará está carecendo para a realização de um desenvolvimento sustentável e competitivo. O exame da experiência israelense motivou a decisão da FIEC em contratar uma assessoria de renomados professores e cientistas da Universidade de Ben-Gurion para organizarem, juntamente com o pessoal local,  um programa no campo  da modernização tecnológica  e inovação, tendo como base a cooperação  Indústria-Universidade.

É importante ressaltar nessa apresentação alguns dos contatos  da visita da Missão da FIEC em Israel com o propósito de constatar in loco a experiência israelense da academia com o mundo real empresarial dos negócios  lucrativos. Os locais das visitas foram  Beer-Sheva, no deserto do Neguev, Tel Aviv, Jerusalém,  Rehovot, Nazaré-Tiberíedes e Haifa. 



    Pedro Sisnando


    Economista com pós-graduação em desenvolvimento econômico e planejamento regional em Israel. Atualmente é vice-presidente do Instituto do Ceará (Histórico,  Gegráfico e Antropológico) e da Academia de Ciências Sociais do Ceará, bem com sócio fundador da Academia Cearense de Ciências. É professor titular  (aposentado) do programa de mestrado (CAEN) da Universidade Federal do Ceará, onde foi também Pró-Reitor de Planejamento. No Banco do Nordeste, ocupou o cargo de economista  e Chefe da Divisão de Estudos Agrícolas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos(ETENE). No período de 1995-2002, exerceu a função de Secretário de Estado de Desenvolvimento Rural do Ceará. Publicou cerca de 40 livros em sua área de especialização e escreveu muitos artigos para jornais e revistas.