O mercado financeiro trabalha com comportamento estável para a economia brasileira em 2011



PEDRO JORGE RAMOS VIANNA

 

A tônica da publicação do Banco Central FOCUS – RELATÓRIO DE MERCADO (25 de março de 2011) é de uma tendência à estabilidade nas previsões feitas pelo MERCADO.


Analisando 15 variáveis: 5 índices de preços, duas taxas de juros, duas taxas de câmbio, a dívida líquida, o PIB, produção industrial e 3 variáveis do balanço de pagamentos, os resultados previstos pelo MERCADO, não deixam dúvidas sobre “espectro” da estabilidade nas previsões feitas pelos agentes econômicos.


De fato, os dados da Tabela abaixo, confirmam o que estamos asseverando: O MERCADO trabalha com a estabilidade em suas previsões sobre as variáveis de inflação, taxa cambial, taxa de juros, crescimento da economia e comportamento do setor externo da economia brasileira.


Como se pode ver, as variações anunciadas são muito pequenas, algumas até inexistentes. Assim, em seu todo, a tendência é mais para a estabilidade do que para movimentos bruscos.


O que chama a atenção nessa Tabela é o comportamento dos Índices Gerais de Preços. Antes tão díspares. Agora apresentam valores mais homogêneos entre si.


Para terminar estas observações, tomo as estimativas da FGV (Conjuntura Econômica, Vol. 65, Nº 02, Fevereiro de 2011) para o setor externo brasileiro.


De acordo com aquele periódico, as estimativas para 2011, são:


· Déficit em Conta Corrente US$64.0 bilhões

· SALDO NO BALANÇO COMERCIAL US$11.0 bilhões

· INVESTIMENTOS DIRETOS US$45.0 bilhões

TABELA

ESTIMATIVA DE VARIAÇÃO EM ALGUNS PARÂMETROS DA ECONOMIA BRASILEIRA

VARIÁVEIS

VARIAÇÕES NOMINAIS

VARIAÇÕES RELATIVAS

DE

PARA

IPCA

5,88%

6.00%

+ 2,04%

IPC-FIPE

5,51%

5,53%

+ 0,36%

IGP-M

6,97%

6,99%

+ 0,29%

IGP-DI

6,93%

7,02%

+ 1,30%

PREÇOS ADMINISTRADOS

4,50%

4,50%

0,00%

SELIC (fim do período)

12,50%

12,25%

- 2,00%

SELIC (média do período)

12,22%

12,06%

- 1,30%

TAXA DE CÂMBIO (fim período)

R$1,70

R$1,70

0,00%

TAXA DE CÂMBIO (média per.)

R$1,68

R$1,68

0.00%

DÍVIDA LÍQUIDA (% DO PIB)

39,45%

39,40%

- 0,13%

PIB

4,03%

4,00%

- 0,74%

PRODUÇÃO INDUSTRIAL

4,00%

4,00%

0.00%

DÉFICIT EM CONTA CORRENTE

US$64.0 bi

US$63.2 bi

- 1,25%

SALDO NO BALANÇO COMERCIAL

US$15.0 bi

US$15.5 bi

+ 3,33%

INVESTIMENTOS DIRETOS

US$42.5 bi

US$44.0 bi

+ 3, 53%

Fonte: Focus – Relatório de Mercado, 25 de março de 2011


Ou seja, as previsões da FGV para o comportamento do setor externo brasileiro, estão muito perto das estimativas do MERCADO, o que lhes dá mais credibilidade.


As análises apresentadas parecem indicar que a economia brasileira não sofrerá sobressaltos neste ano de 2011. Teremos inflação, mas nada que nos assuste. Por outro lado, a dívida líquida e o déficit em conta corrente parece apresentarem comportamento descendente. O que é um ganho para o sistema econômico.


Clique aqui para ver o FOCUS - RELATÓRIO DE MERCADO( 25 de março de 2011).


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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.