O Setor Industrial e a agenda para a inovação



O SETOR INDUSTRIAL E A AGENDA PARA A INOVAÇÃO

Pedro Jorge Ramos Vianna

Professor Titular da UFC, aposentado

 

Nos dias 20 a 22 de junho e no dia 03 de agosto do corrente ano aconteceram dois eventos muito importantes para a indústria: primeiro, o evento conjunto INOVA 2011 e a XI CONFERÊNCIA NACIONAL ANPEI DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA; segundo, o 4º CONGRESSO BRASILEIRO DE INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA.

Estes eventos, com seus debates, conferências, amostras e a participação de altas autoridades federais e estaduais, graduados funcionários, bem como de importantes empresários, mostra primeiro, que o setor industrial brasileiro e cearense despertaram para a necessidade urgente de implantar em suas unidades fabris processos inovadores, seja na produção, na gestão e/ou na comercialização.

De fato, com a globalização e a emergência da China como um exportador que “joga pesado”, não só os mercados estrangeiros mas – e principalmente – o mercado interno, podem “encolher” para as indústrias brasileiras e cearenses (estas últimas talvez mais afetadas pelo tamanho e pelo tipo de indústria  sediada no Estado).

Desta forma, a inovação de processos é o caminho mais lógico para que o setor industrial mantenha sua capacidade competitiva.

Este fato é mais verdade quando se leva em conta que o Brasil se utiliza de várias políticas macroeconômicas altamente danosas para as empresas brasileiras, principalmente para as empresas exportadoras: refiro-me à alta carga tributária, à elevada taxa de juros e à política de manter  o Real sobrevalorizado.

Portanto, os Eventos supra citados têm enorme importância para o setor industrial brasileiro e para o setor industrial cearense.

Vale ressaltar aqui os três documentos que foram emitidos a partir daqueles Eventos.

O primeiro é a CARTA ANPEI DE FORTALEZA, o segundo a  AGENDA PARA ESTIMULAR A INOVAÇÃO  e o terceiro o documento COMPROMISSO PELA INOVAÇÃO.

Comecemos por analisar a CARTA ANPEI DE FORTALEZA. No Quadro 1, a seguir, estão registradas as seis recomendações emanadas dos Membros da ANPEI.

Mas antes de mostrar o Quadro 1,  vale registrar que a realização conjunta da Conferência ANPEI e o Seminário INOVA foi um sucesso absoluto, haja vista que o número de participantes da Conferência ANPEI/Seminário INOVA, em 2011, foi de 1.728, quando em 2010, a Conferência ANPEI só reuniu 818 participantes. Isto mostra a força do Seminário INOVA promovido pelo INDI/FIEC.

 

 

Como se pode ver, as sugestões acima mostram que há muito a se fazer no que diz respeito à INOVAÇÃO neste País.

O segundo documento, a AGENDA PARA ESTIMULAR A INOVAÇÃO, que foi entregue pelo Presidente da CNI ao Ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministro Aloizio Mercadante e ao Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ministro Fernando da Mata Pimentel, durante o 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, em 03/08/2011, traz em seu bojo 10 pontos para serem trabalhados, cada um deles englobando uma série de políticas e ações consideradas importantes pelo setor industrial brasileiro. O Quadro 2, que traz o resumo dos Pontos, Políticas e Ações é mostrado a seguir.

QUADRO 2

OS PONTOS DA AGENDA PARA ESTIMULAR A INOVAÇÃO


 

Finalmente, o terceiro Documento: O COMPROMISSO PELA INOVAÇÃO.

Este Documento, lido pelo Presidente da NATURA, Sr. Pedro Passos, levou ao palco, o Sr. Presidente da CNI, Robson Braga de Andrade; o Ministro de Estado  de Ciência Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante; o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando da Mata Pimentel e a grande maioria dos Presidentes das Federações de Indústria do Brasil.

Relembrando o Manifesto Pela Inovação, lançado pela CNI há dois anos, foram reafirmados os seguintes compromissos:

  • Compromisso com a mudança e com o objetivo de vencer o desafio de uma inserção mais dinâmica do País na nova economia global;
  • Compromisso com o futuro, centrado na idéia que cabe ao setor privado exercer um protagonismo inédito na agenda da inovação;
  • Compromisso com mais responsabilidade no esforço próprio  em dialogar com a sociedade e com o governo;
  • Compromisso em apontar caminhos que  permitam organizar melhor o que a empresa faz e aprimorar a relação entre universidades e empresas, entre o governo e o setor privado;
  • Compromisso com a meta de dobrar, em quatro anos, o número de empresas que inovam;
  • Compromisso em percorrer o país, mostrar alternativas, difundir as melhores práticas, estimular mais e mais empresas a inovar, a desenvolver tecnologias, a se engajarem ativamente nesta aventura.

Dada a presença maciça de Presidentes de Federações de Indústria do Brasil, de capitães de indústrias do porte dos Presidentes da Fiat Brasil;  da Siemens, da Braskem,  da Klabin, da General Eletric do Brasil; da Marcopolo; da Natura; da IBM do Brasil, da Sadia, do Grupo Fillizola e da Coteminas; além dos Presidentes  do BNDES e do SEBRAE, não pode existir dúvidas que a indústria nacional está trilhando o caminho voltado para o futuro.

Se tomarmos as declarações dos Ministros de Estado acima nominados, como um compromisso formal a ser cumprido fielmente, então  devemos ser otimistas com relação ao futuro da indústria brasileira.

Entretanto não devemos esquecer que o Brasil precisa, urgentemente:

ü  Diminuir a carga tributária bruta incidente sobre a população brasileira;

ü  Praticar taxas de juros mais compatíveis com o sistema produtivo nacional;

ü  Praticar uma Política Cambial que combata tanto a sobrevalorização como a subvalorização da moeda nacional;

ü  Investir maciçamente em educação formal, em todos os seus níveis;

ü  Investir maciçamente em educação profissionalizante e tecnológica.

Afora o atendimento das recomendações do setor industrial apresentadas tanto na CARTA ANPEI DE FORTALEZA, como na AGENDA PARA A INOVAÇÃO, a solução dos problemas acima é condição sine qua non para o desenvolvimento do setor industrial brasileiro.

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    Pedro Vianna


    Sócio fundador da Econometrix e da TPJ Economistas Associados, com 40 anos de experiência na área da Ciência Econômica. Foi Diretor do Sistema BEC/BANDECE. Foi chefe do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste-ETENE, do BNB. Foi Vice-Presidente da Associação de Bancos de Desenvolvimento - ABDE. Foi Professor Titular em Ciência Econômica da Universidade Federal do Ceará. Foi Professor Pesquisador do Seminar Für Allgemeine Betriebswirtschaftslehre, Beschaffung und Produktpolitik, e do Institut Für Finanzwissenschaft, ambos da Universidade de Colônia (Alemanha). Especialista nas áreas de Economia Internacional e Ciência Tributária.