Exercício estatístico sobre o sacramento da confissão



Osório Viana

 

01. Dois fatos relacionados e de suma importância ocorreram no Brasil (e na América Latina), nas últimas décadas: a Explosão Demográfica e a Explosão Urbana. Em 1970, em nosso país, éramos “70 milhões em ação”, hoje, 45 anos depois, constituímos aproximadamente 210 milhões de habitantes. Por outro lado, 85% da população brasileira vivem no mundo urbano. São dados fundamentais para qualquer análise que se queira realizar sobre o país.

 

02. Para o presente exercício estatístico, vejamos os números de Católicos e de Sacerdotes:

 

CENSO (2010)

Católicos: 123.280.172

VATICAN INFORMATION SERVICE (2013) -

Católicos: 164.780.000

CERIS (2006)

Sacerdotes: 18.685

Sacerdotes: 20.701

 

03. Dias do Ano: 365

 

Menos: – 52 (Eliminamos os Domingos, em que os sacerdotes já trabalham em demasia);

 

Menos: - 30 (Todo trabalhador tem direito às férias anuais);

 

Logo, dias “úteis”: 283 (Dias disponíveis para o Confessionário).

 

04.

Católicos “Confessáveis” –

Total de Católicos: 123.280.172

Menos (15%):          – 18.492.026

“Confessáveis”:         104.788.146

(pois, 15% têm entre 0 e 9 anos)

Total de Católicos: 164.780.000

Menos (15%):           - 24.717.000

“Confessáveis”:        140.063.000

 

05. Cocientes: Aqui subestimamos, ao introduzir no denominador o número maior de Sacerdotes (não eliminamos, porém, os fiéis muito velhinhos). Então, se cada Católico se confessar uma vez por ano, obtemos quantos fiéis cada Sacerdote receberia para Confissão Auricular, a cada ano:

        

104.788.146 / 20.701 = 5.062           140.063.000 / 20.701 = 6.766


06. Dividindo pelo número de dias “úteis”, obtemos as duas alternativas de Confissões diárias, para cada Sacerdote, ao se confessarem os Católicos brasileiros uma vez por ano:

 

5.062 / 283 = 17,887 ~ 18               6.766 / 283 = 23,91 ~ 24

 

07. Simplificando, em números redondos, teremos 20 fiéis por dia.

 

08. Assim, se se confessarem duas vezes por ano, serão 40 fiéis por dia para cada Sacerdote. Três vezes por ano, serão 60 fiéis. E, assim por diante... e os Sacerdotes nada mais farão! (Se, semanalmente: 20x52=1.040/dia!).

 

09. Conclusão: realisticamente, com o crescimento populacional e urbano, a Confissão Auricular tornou-se uma impossibilidade estatística.

 

10. Portanto, a hierarquia da Igreja e o clero em geral não podem ter condições de satisfação e felicidade, ao conceder o Sacramento da Reconciliação apenas a umas poucas “beatas” e a uns poucos “ratos de sacristia” semanais... A multidão de católicos espera uma Reforma neste sentido. Se não estamos completamente enganados, nem o Papa Francisco e nem mesmo o Senhor Jesus (pois, não consta referência Sua à Confissão Auricular) aceitam que tal situação assim permaneça.

 

Enfim, cremos poder acrescentar duas ilações relacionadas com os resultados quantitativos deste exercício:

 

11. A Confissão auricular é certamente um Sacramento muito difícil... Por outro lado, o Censo demonstrou a diminuição do número de Católicos e o grande aumento de Evangélicos (sobretudo das novas igrejas pentecostais, com pouco controle de excessos sentimentais). Não haverá alguma relação entre a primeira e a segunda constatação?

 

12. Mais importante: Vamos à Missa e, praticamente, todo mundo comunga. Se a hierarquia é lenta na direção de um novo "aggiornamento", o povo católico brasileiro, vivenciando as duas revoluções demográficas e a escassez de sacerdotes, comunga sem se confessar... Adiantou-se e já resolveu o problema. Expressa, assim, sua necessidade (ou exigência) da Confissão Comunitária (que não contraria as realidades demográficas).

 

13. Isto, no país que tem a maior quantidade de católicos em todo o planeta.

 

Prof. Osório Viana (delimaviana@live.com)



    Osório Viana


    Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará; Mestre em Economia Agrícola pela University of California, Berkeley; Livre-Docente em Desenvolvimento Sustentável na Universidade Federal do Ceará; Especialista em Economia Ecológica pela Fundação Joaquim Nabuco; Especialista em Estimação de Parâmetros Nacionais e Preços de Conta pela Universidad de los Andes – UNIANDES; Especialista em Avaliação Financeira e Econômica de Projetos Industriais pela Universidad de los Andes – UNIANDES; Especialista em Desenvolvimento Econômico e Social pelo Institut d’Etudes du Développement Economique et Social – IEDES - Université de Paris; Especialista em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas – EAE/FGV; Especialista em Análise Econômica pela Universidade Federal do Ceará – UFC; Foi Professor do Departamento de Teoria Econômica da UFC; Foi Economista do Departamento de Análise de Projetos e do Departamento de Planos e Programas, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Ex-Assessor para o Ensino Superior, da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, do Governo do Estado do Ceará; Ex-Superintendente do Instituto de Planejamento Municipal (IPLAM), da Prefeitura Municipal de Fortaleza.